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Scliar com Maria H. Vieira da Silva e Arpad Szenes, 1943.

Carlos Scliar   

A Guerra de Carlos Scliar (*)

...O dia-a-dia era uma coisa dramática.
Principalmente porque nós ficávamos hospedados na casa da população naquelas cidades em que a gente foi passando e realmente se sentia que o clima da Guerra era um dos mais estúpidos que podia haver.
Uma Guerra estúpida destruía séculos de civilização. Era uma coisa que te afrontava diariamente, sem contar aquela gente que já vinha dentro do regime fascista, e num campo de batalha sofria diariamente. Isso nos afrontava e muito.
Fui convocado em fins de 1942, tinha 22 anos.
O medo era a qualidade mais presente que eu tinha dentro do meu cotidiano. Eu achava que tinha obrigação de ir por questões políticas e até por minha origem judaica.
A Guerra antinazista era uma guerra que me provocava. Eu não podia recusar aquilo.
Fiz uma exposição no Rio, era como se fosse meu testamento. Eu estava me despedindo.
Passei onze meses na Itália, peguei os últimos meses de Guerra. Eu não achava que fosse voltar.
....

Quase todos os meus colegas tiveram problemas psicológicos depois, e eu passei incólume. Penso que os desenhos que eu fiz nas horas de folga salvaram minha cuca.

(*) Contada a José Carlos Fernandes e Valêncio Xavier




 


Arpad Szenes - Maria Helena Vieira da Silva